Como cuidar de cães idosos e o que fazer quando morrem


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Já falei neste espaço sobre um garoto chamado Luís Maurício, que cresceu e ficou famoso como grande guitarrista com nome artístico canino, Lulu Santos. Pois bem, falarei agora de outro garoto que teve seu primeiro contato com o sucesso aos dez anos de idade, vencendo um concurso de talentos infantis cantando uma canção sobre a vida e morte de seu melhor amigo, um cachorro de estimação.

Sim, refiro-me a Elvis Presley, e a canção era a valsa “Old Shep”, sucesso do cantor e compositor country Red Foley, e que Elvis, logo após se tornar mundialmente famoso, fez questão de gravar no seu segundo álbum, em 1956.

Esta valsinha é bom e raro exemplo de canção sentimental que não descamba para o brega, e também serve de mapa para este artigo, sobre como lidar com nossos caninos – e com nossas próprias emoções – quando chega a hora de eles partirem desta para a melhor.

O cão idoso ou muito doente
Um cão pode viver até 20 anos (há casos de cães que chegaram aos 29!), bem menos que a média de 70 a 80 das pessoas, de modo que essas precisam estar preparadas para quando tiverem de se separar dos peludos. Isso pode acontecer devido à idade avançada do cão ou se, Deus nos livre, ele for atropelado ou contrair toxoplasmose, câncer ou outra doença grave.

A canção “Old Shep” começa falando do começo da amizade de ‘Shep’ e Jim, seu dono humano, quando aquele é filhotinho e este um garoto; ambos vivem passeando pelos campos e colinas, e “Shep” chega a salvar Jim de morrer afogado. (Para quem sabe algo do idioma inglês, a letra pode ser lida aqui). Tudo vai bem, até que um dia… “Os anos passaram rápido/o velho “Shep” envelheceu/seus olhos foram se esmaecendo rapidamente.”

Sempre comparo caninos a humanos, e agora é a vez dos cães velhinhos que ficam debilitados e mais sensíveis, perdendo independência e exigindo muita atenção e cuidados. O primeiro sintoma de idade avançada é a diminuição de atividade e entusiasmo para atividades físicas e do interesse pelo que acontece à sua volta.

Uma das primeiras providências é evitar que o peludo se deixe abater e fique prostrado, dando-lhe uma terceira idade produtiva, com atividades de acordo com sua condição física, como pequenas caminhadas ou brincadeiras com bolinhas e objetos. Outros sintomas são surdez, aumento de peso, catarata e outros problemas de visão, incontinência urinária e senilidade (geralmente demonstrada quando o cão tenta atacar algo que ninguém mais vê).

Ah, sim: é verdade que cães castrados vivem mais, mas a noção de que “um ano canino equivale a sete anos humanos” é mais um mito para a coleção. Vejamos dois detalhes. Um cão com 20 anos equivaleria a uma pessoa com 140; nenhum ser humano vive tanto. E o envelhecimento (ou melhor, amadurecimento) canino não é linear como o humano; com um ano de idade, cães (assim como gatos) já são maduros o suficiente para procriarem. E raças de grande porte, como os Buldogues e Mastifes, costumam viver menos que as pequenas, como Dachsunds e Pequineses.

Enfim, é preciso estarmos sempre atentos, pois, mudando um pouco de autor e citando Vinicius de Moraes, cão é como gente, que “mal nasce, começa a morrer”.

Eutanásia: sim ou não?
Voltando à letra de “Old Shep”: “Um dia o médico olhou para mim e disse/’nada mais posso fazer por ele, Jim’”. Muitos de nós passam por isso quando o cão está realmente muito idoso e quase não responde a estímulos, ou sofreu um acidente muito grave, ou ainda chegou à fase terminal de uma doença.

Obviamente, o dono pode procurar outro veterinário, pedir segunda e terceira opinião. Quando o cão realmente está nas últimas, não se alimentando nem respondendo a estímulos, com sinais vitais cada vez menores e vida mais longa significar vida sem qualidade com dores, imobilidade e sofrimento, o mais usual é o veterinário sugerir a eutanásia. Ou seja, tirar a vida do cão de maneira serena e indolor.

Isso é bom ou ruim? Quem decide é o dono. E a decisão tem de ser muito bem pensada. Valerá a pena termos conosco o cão de que tanto gostamos, mesmo que para continuar vivo ele precise sofrer, imóvel e cheio de dores? E haverá tempo ou possibilidade financeira para tratamentos mais caros e demorados? Volto a dizer: quem decide é o dono.

Uma certeza é de que a prática da eutanásia tornou-se muito mais tranquila e discreta do que diz a letra de “Old Shep”, que, lembramos, já era antiga quando Elvis a cantou em 1945 (composta antes de ele ter nascido, em 1933): “Com as mãos trêmulas/peguei minha espingarda/e apontei-a para a fiel cabeça de ‘Shep’/eu não podia fazer isso/tive vontade de fugir/e quisera eu ter levado o tiro no lugar dele/ele veio para meu lado/olhou para mim/e descansou sua velha cabeça em meu joelho/eu havia atirado no melhor amigo que uma pessoa jamais teve/chorei tanto que mal pude ver.”

Pois bem: de 1933 para cá, tanto o canino quanto o dono se livraram de tanto sofrimento. O método mais usado para eutanásia é, simplesmente, colocar o cão para dormir. Ele é anestesiado e, ao adormecer de vez, recebe uma injeção de um composto químico (normalmente um barbitúrico) que paralisa coração e pulmões, tudo em no máximo cinco minutos.

Há quem prefira aplicar apenas uma dose muito forte, mas o método de duas etapas (anestesia e injeção letal), embora mais demorado, permite ao cão e ao dono se despedirem. (Ah, sim, nada de muita cerimônia: o ambiente deve ser tranquilo, sem a presença de muita gente – apenas o médico ou assistente, o cão e o dono se este quiser estar presente – ou de outros animais. E, obviamente, a eutanásia é recomendável somente para abreviar o sofrimento de cães agonizantes e eliminar cães raivosos, perigosos e totalmente fora de controle, e não como método para diminuir a população canina.)

Última morada
Para o derradeiro repouso do canino existem várias opções, desde sepultamento no próprio quintal do dono (obviamente bem acondicionado para evitar contaminação do solo) e recolhimento gratuito do corpo pelas Prefeituras para cremação a funerais requintados como o Pet Memorial,em São Paulo, primeiro crematório para cães (e outros animais de estimação) da América Latina, e cemitérios como Jardim do Amigo (em Itapevi, a 40km de São Paulo), Pet’s Garden(Rio de Janeiro), Campo da Saudade (em Salvador), Jardim do Bom Amigo(em Colombo, perto de Curitiba), Cemitério Parque Bosque São Francisco de Assis (Belo Horizonte) e o cemitério do canil Dream’s Bloom, dedicado a Beagles (em Tatuí, interior de São Paulo).

O custo do funeral ou cremação varia de R$ 200 a R$ 2.000, conforme o local, o porte do animal e o luxo exigido. E se o cão falecer no consultório do veterinário, este pode ficar com o corpo para encaminhamento à cremação pelo Centro de Controle de Zoonoses, mediante pequenas taxas (cerca de R$ 20)

.…E a vida continua
Assim diz a última estrofe de “Old Shep”: “O velho ‘Shep’ foi/para onde vão os cães bonzinhos/e não mais passearei por aí com o velho ‘Shep’/Mas se os cães tiverem um Paraíso/uma coisa eu sei com certeza:/o velho ‘Shep’ tem um lar maravilhoso.”

Em caso de morte do cão, você não deve, nem precisa, ter vergonha de chorar muito e se descabelar um pouco; afinal, trata-se de um ente querido. Mesmo que você possua oito peludos, são os SEUS oito peludos, não apenas oito dentre os tantos que houver em sua cidade. Espalhe fotos e vídeos do cão por paredes, cadernos e blogs, fale dele à vontade, relembre bons momentos e “causos” pitorescos passados com ele, pode até seguir o exemplo de Red Foley e compor poesias ou canções nele inspirados.

Compartilhar experiência com outras pessoas que passaram pela mesma situação e adotar outro canino também ajuda. Enfim, recorde mais a vida que a morte do cão. Com o tempo você se acostumará com o fato de que ele se foi e que, mesmo que esteja brincando com o velho “Shep” no céu, não está mais aqui na Terra.

Ou, por outra, está sim. Como todo ente querido, o peludo sempre viverá nas boas lembranças de quem o conheceu e, de uma forma ou outra, estará sempre presente. Assim como o citado Elvis Presley, que às vezes nem parece ter falecido há mais de 30 anos…

(Ah, sim: “Shep” vai entre aspas porque não é o nome do cão, e sim apelido popular estadunidense para cães mestiços de “German Shepherd”, ou seja, Pastor Alemão. E esta valsa foi inspirada num Pastor Alemão de verdade, que, infelizmente, não morreu de velho, e sim envenenado por um vizinho.)

Fonte: Yahoo


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